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Álbum "Eva" marca a entrada da rapper angolana Eva Rap Diva no mercado português


A rapper angolana Eva Rap Diva, "filha do hip-hop tuga" e mulher que se tenta impor num mundo artístico dominado por homens, edita hoje em Portugal "Eva", título que homenageia a avó.
Começou a rappar em Portugal, aos 12 anos, na Escola Fernando Namora, na Brandoa, nos arredores de Lisboa. Agora, quase a completar 30 anos, e dividida entre Portugal e Angola desde 2011, Eva Rap Diva lança o seu primeiro álbum no mercado português. Editado em Angola no ano passado, Eva, homenagem à avó, chega a Portugal com uma faixa bónus, Lady Boss.
"Lady Boss é já um a.k.a. Muita gente já me trata por Lady Boss. Três dias depois do vídeo e da música saírem, já me chamavam Lady Boss na rua", conta à Plataforma, em Lisboa, onde se encontra para promover o lançamento do seu segundo trabalho de originais que sucede a Rainha Ginga do Rap Angolano (2014).
Numa área artística dominada por homens rappers, Eva reconhece que Lady Boss acaba por ser um statment: "Para falar de mais uma coisa que atingi no meu percurso e pelo facto de em Angola ser eu quem faz a gestão da minha carreira. Espero que oLady Boss também sirva para motivar outras mulheres a serem mais ambiciosas", afirma.
Mas Eva tem outras faixas sobre esta temática, começando logo no tema de abertura, Outra espécie, no qual canta que o "rap feminino nunca esteve tão good" e "esquece aquilo que eles dizem podes ser o que quiseres".
"Acho que acaba por ser um desabafo", refere sobre as temáticas que usa nas suas músicas. "O artista quando não consegue desabafar na sua música, quando não consegue mostrar a alegria, a tristeza, o amor, a raiva na sua música acaba por ficar atrofiado porque acaba por guardar coisas para dentro de si que tinha de exteriorizar. E é também um dever, no meu caso. Sou portuguesa, sou angolana, acho que tenho essa responsabilidade para com o meu público, as bandeiras que eu represento, porque há milhares de pessoas que se reveem naquilo. Que vêm uma esperança, uma solução naquilo. Que sentem que estão a falar através de mim. Eu tenho também essa função de dar a voz a essas pessoas".
O percurso tem sido "difícil", explica, assumindo-se orgulhosa do que tem conseguido. "O lançamento do meu álbum em Angola foi um sucesso, vendemos muitas cópias, o que nenhuma rapper mulher e poucos rappers homens conseguiram. Passei por 13 das 18 províncias de Angola, o que é muito difícil sem uma grande estrutura, sem um patrocínio, sem estar numa grande editora. Um artista independente jamais faz este tipo de circuito lá. Nós conseguimos fazer".
Apesar da mudança para Angola, em 2011, Eva reconhece a herança portuguesa: "Sou uma filha do 'hip-hop' tuga,". E refere Boss AC, Black Company e da Weasel como artistas que a influenciaram.
Quando chegou a Angola, Eva Rap Diva "já era uma rapper com uma história de uns dez anos de rap e muito conhecida aqui, mas não tinha "uma carreira sólida, como tenho agora". Por isso, confessa a surpresa pela reação do público na sua primeira atuação em Angola: "Uma das vezes em que fui de férias a Luanda, em 2009, contrataram-me para um show no Cine Karl Marx, que era uma das maiores salas e, para meu espanto, chego lá e as pessoas estavam todas a cantar a minha música, de um disco em que eu participei cá, Incendiários. Pensei: Como é que eles conhecem isso", recorda.
Sobre a produção deste álbum, em Angola, "que conta com a participação de artistas como Gari Sinedima, Landrick, Reptail, Selda e Vuivui", Eva explica o intenso e colaborativo trabalho de estúdio de todos os temas:"No que toca às letras, a base da composição é sempre minha, mas o pessoal que trabalha comigo dá muito inputs faz muitas críticas, faz muitas sugestões. Nós em estúdio dialogamos muito. Por exemplo, há refrões que foi o Detergente [o produtor] quem fez. Há letras que são alteradas quando estamos a gravar.Entre nós, quando estamos em estúdio, existe uma conexão muito forte. Se calhar tenho uma ligação melhor com o meu produtor do que com alguns familiares meus, irmãos até".
Eva Rap Diva, que no ano passado atuou em Lisboa no festival Vodafone Mexefest e este ano integrou a Guerrilha Cor de Rosa da 'rapper' portuguesa Capicua em dois espetáculos em Lisboa, vai voltar ao palcos portugueses este verão: no dia 29 vai estar no no Rock in Rio, em Lisboa (para cantar o hino do Digital Stage) e no dia 9 de agosto apresenta o seu álbum no Sudoeste, na Zambujeira do Mar (Odemira). Durante o verão haverá ainda outras "datas grandes e boas", mas a artista ainda não as pode revelar.