Barcelona Começa a Defesa do Título da Lá Liga a Perder por 1 a 0 contra o Atletic de Bilbao

Barcelona tem as melhores opções no meio, mas Valverde pecou nas escolhas

O treinador surpreendeu na escalação, time não atuou bem e pela primeira vez após dez anos foi derrotado na estreia de La Liga
Barcelona apostou alto em contratações para a temporada 2019-20 e trouxe duas das melhores peças possíveis para incrementar as opções do técnico Ernesto Valverde no meio-campo e ataque: Frenkie De Jong chegou do Ajax por 75 milhões de euros, e Antoine Griezmann foi contratado, junto ao Atlético de Madrid, por 120 milhões.
A incorporação do atacante francês faz surgir dúvidas sobre como o ataque poderá ser montado, ainda mais pelo fato de não ter feito parceria com Messi durante a pré-temporada – além de disputar posição com Dembélé e ter características que, na teoria, não se encaixariam com Lionel e Suárez juntos. Mas é no meio-campo onde deve acontecer a maior disputa por uma vaga entre os titulares. Uma competitividade que torna o setor um dos mais concorridos do mundo.
No último ano, Rakitic, Busquets e Arthur formaram boa parte da estrutura no meio (seja em um 4-3-3 ou com a incorporação de Coutinho ou Dembélé num 4-4-2). Hoje, Valverde também conta com o excelente De Jong e Aleña. Sergi Roberto, muitas vezes usado na lateral-direita, também concorre no setor e enquanto Rafinha não tem o seu futuro definido [ainda pode ser emprestado para o Valencia], também é opção.
Contra o Athletic Bilbao, na primeira rodada do Campeonato Espanhol 2019-20, Ernesto Valverde surpreendeu na montagem do time. Arthur e Vidal sequer foram relacionados, sob a justificativa de que ainda não estão na melhor forma após a Copa América. Rakitic, especulado como moeda de troca na negociação para trazer Neymar de volta do PSG, ficou no banco. E o que mais impressionou foi a inclusão de Busquets também entre os reservas.
Desenhado em um 4-3-3, o Barça iniciou oficialmente a temporada com Sergi Roberto, De Jong e Aleña perfilados à frente da zaga. E a trinca não teve uma boa atuação dentro do sempre complicado San Mamés. Criou muito pouco e falhou em conter os avanços do Bilbao quando os bascos, que apostaram no contra-ataque, avançavam. Apesar da menor posse de bola, os donos da casa passavam com facilidade pelo setor.
Aleña pouco apareceu, sendo substituído no intervalo por Rakitic; De Jong teve de positivo o acerto nos passes – incríveis 93,9% que não foram o bastante para a criação de jogadas, porque, a partir da metade do primeiro tempo, quem passou a fazer o papel de “camisa dez” foi Sergi Roberto. A bizarrice ocorreu por duas razões: a ausência de Messi, lesionado, e a lesão muscular sofrida por Luis Suárez, que obrigou Valverde a sacar o atacante. Com Griezmann isolado no ataque, Rafinha entrou para ocupar a faixa direita da meia enquanto Sergi Roberto avançou, dando forma a um 4-2-3-1 que pecou em inspiração.
Após a derrota, o treinador do Barcelona tentou explicar a sua opção, mas não passou muita segurança: “a nossa intenção é sempre manter distância entre os jogadores, para que possam jogar. Mas eu acho que ficamos muito atrás. Eu quis dar continuidade ao jogo contra o Napoli (na pré-temporada), embora saibamos que Ivan (Rakitic) e Busi (Busquets) são importantes para nós. Mas eu achava que era o melhor a se fazer e apostei nisso”, disse.
Quem não parece ser aposta de Valverde, contudo, é Rafinha, justamente o melhor em campo pelo Barcelona: o brasileiro deixou o gramado como líder em finalizações totais [4, sendo uma a gol] e chances criadas [3, segundo a Opta Sports]. O futuro do meia segue indefinido, assim como a disputa pelas vagas no meio de campo barcelonista. O que não há dúvidas é que há qualidade de sobra, até por isso tanto a derrota quanto as escolhas do treinador impressionam.

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